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Riscos corporativos em 2026: por que os ciberataques assumiram o topo das preocupações dos CEOs no Brasil

Quando conselhos administrativos definem suas prioridades de risco para os próximos anos, a pauta de cibersegurança deixou de dividir espaço com instabilidades econômicas e operacionais. Ela passou a liderá-las. Essa não é mais uma leitura isolada de um único levantamento: é a convergência de pesquisas globais e nacionais que, em 2026, colocam o ciberataque como o risco número um para a continuidade dos negócios.

Segundo a pesquisa Top Risks, conduzida pela Protiviti em parceria com a North Carolina State University (NC State), as ameaças cibernéticas aparecem como o principal risco para empresas brasileiras em 2026. O estudo ouviu 1.540 conselheiros e executivos C-level em diferentes países entre setembro e outubro de 2025, incluindo lideranças brasileiras, avaliando tanto riscos de curto prazo quanto projeções para a próxima década. No recorte nacional, ameaças cibernéticas lideram um ranking que inclui falta de qualificação para adoção de inteligência artificial, pressões inflacionárias, riscos envolvendo terceiros e infraestrutura de TI obsoleta; todos eles, vale notar, direta ou indiretamente conectados à exposição digital da operação.

O crescimento acelerado da transformação digital ampliou significativamente a superfície de ataque corporativa. Ativos esquecidos, aplicações expostas à Internet, APIs públicas, buckets em nuvem, domínios similares, certificados digitais, identidades privilegiadas e ativos Shadow IT passaram a representar vetores de comprometimento tão relevantes quanto vulnerabilidades tradicionais. 

O cenário brasileiro não é exceção dentro de uma tendência global. O Allianz Risk Barometer 2026, que consultou 3.338 especialistas em gestão de risco de 97 países, aponta os incidentes cibernéticos como o principal risco corporativo do mundo pelo quinto ano consecutivo, com a maior margem de vantagem já registrada sobre o segundo colocado. A inteligência artificial aparece logo atrás, subindo da décima para a segunda posição no ranking global,  maior salto da história da pesquisa, hoje em sua décima quinta edição. Juntos, cibersegurança e IA agora figuram entre os cinco principais riscos em praticamente todos os setores e portes de empresa analisados.

Imagem representativa de um conselho de CEOs debatendo cibersegurança e ciberataques.

O risco que saiu da TI e chegou ao conselho

A leitura desses dois levantamentos, lidos em conjunto, descreve um movimento estrutural: a cibersegurança concluiu sua transição da sala de servidores para a mesa do conselho administrativo. Não se trata mais de uma pauta técnica reportada esporadicamente em comitês de risco, mas de uma variável que molda decisões sobre fusões, expansão geográfica, parcerias estratégicas e até a precificação de capital.

Essa mudança de status tem uma explicação direta. Segundo a área de Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios da Protiviti Brasil, os riscos corporativos atuais formam um ecossistema altamente conectado, no qual ameaças cibernéticas, dependência de terceiros, infraestrutura legada e inteligência artificial impactam diretamente a capacidade das empresas de executar sua estratégia, manter a confiança do mercado e sustentar o crescimento. Em outras palavras, um incidente de segurança deixou de ser um problema isolado de TI para se tornar um evento capaz de comprometer simultaneamente operação, reputação e posicionamento competitivo.

O dado do Allianz Risk Barometer reforça essa interdependência: a permanência do risco cibernético no topo do ranking global, segundo a análise da seguradora, reflete uma dependência cada vez maior de provedores terceirizados para dados e serviços críticos, em um momento no qual a inteligência artificial amplia a superfície de ataque e potencializa ameaças já existentes. Para empresas de grande porte, isso significa que a robustez de sua própria infraestrutura já não é suficiente: a resiliência do ecossistema de fornecedores, parceiros e plataformas conectadas passou a fazer parte direta da equação de risco.

Entre o discurso de risco e o orçamento que o sustenta

Um dos pontos mais relevantes da pesquisa Protiviti para o debate estratégico é a distância entre o reconhecimento do risco e o volume de investimento direcionado a ele. No Brasil, 46% dos executivos afirmaram priorizar investimentos em modernização da infraestrutura tecnológica e melhorias em processos de negócio, enquanto iniciativas ligadas a cibersegurança e proteção digital concentram 34% das prioridades corporativas. O risco mais citado pelos líderes brasileiros não é, ainda, o que recebe a maior fatia isolada de investimento, um descompasso que tende a se tornar insustentável à medida que a pressão regulatória e a sofisticação das ameaças avançam.

Esse desencontro fica ainda mais evidente quando se observa o componente de inteligência artificial dentro do mesmo levantamento. No Brasil, 36% dos executivos apontam dificuldade para implementar IA em ritmo competitivo, o mesmo percentual destaca a necessidade de capacitação e requalificação de profissionais para acompanhar a transformação tecnológica, e 28% citam problemas de integração entre ferramentas de IA e sistemas já existentes. Como observa a própria área de Riscos da Protiviti Brasil, o risco não está em adotar a inteligência artificial, mas em fazê-la avançar sem governança, sem integração e sem preparo das pessoas envolvidas, e essa lacuna de governança é, justamente, um dos vetores que o Allianz Risk Barometer identifica como amplificador do risco cibernético em 2026.

Apesar desse cenário de exposição elevada, os executivos brasileiros mantêm uma leitura otimista sobre o crescimento: 80% acreditam em potencial relevante de receita nos próximos dois ou três anos, e 76% apontam parcerias estratégicas e desenvolvimento de ecossistemas de negócios como principais caminhos para ampliar oportunidades. A leitura correta desse otimismo não é a de que o risco cibernético seja secundário, é a de que ele se tornou a variável que determina se o crescimento projetado será, de fato, sustentável.

Por que a resposta reativa já não acompanha o ritmo da ameaça

A maior parte das estruturas de segurança corporativa no Brasil ainda está organizada em torno da resposta a incidentes: detectar, conter e remediar depois que o ataque já está em curso. Esse modelo, construído para um cenário de ameaças mais previsível, não acompanha a velocidade de um ambiente no qual a inteligência artificial reduz o custo da ofensiva e amplia a escala dos ataques simultaneamente em múltiplas frentes, exatamente o padrão que tanto a Protiviti quanto a Allianz identificam como o principal fator de aceleração do risco em 2026.

Para o conselho administrativo, a pergunta deixou de ser “estamos protegidos contra um ataque?” e passou a ser “quanto tempo levaríamos para detectar, conter e nos recuperar de um incidente, e qual seria o custo de cada hora de exposição não identificada?”. É essa mudança de pergunta que justifica a migração de modelos tradicionais de monitoramento para uma estrutura de gerenciamento contínuo de exposição, uma abordagem que une visibilidade unificada, inteligência de ameaças e capacidade de resposta orquestrada em um único ciclo operacional, em vez de tratá-los como camadas isoladas.

A evolução da postura defensiva também passa pela adoção de modelos como Continuous Threat Exposure Management (CTEM), abordagem que prioriza a identificação contínua de ativos expostos, vulnerabilidades exploráveis, caminhos de ataque (Attack Paths) e validação constante da eficácia dos controles de segurança. Diferentemente da gestão tradicional baseada apenas em vulnerabilidades, o CTEM considera contexto, criticidade do ativo, inteligência de ameaças e probabilidade real de exploração. 

O que muda quando a segurança passa a ser orquestrada, não apenas monitorada

É nesse contexto que a Asper estrutura sua atuação para empresas Enterprise. No centro dessa estrutura está o time de especialistas no Cyber Fusion Center (CFC), o modelo de centro de operações de segurança de próxima geração da Asper, que entrega inteligência avançada de ameaças, prevenção e visibilidade unificada de ponta a ponta da infraestrutura do cliente. Diferente de um SOC tradicional, voltado essencialmente ao monitoramento de alertas, o CFC correlaciona eventos de múltiplas fontes para identificar comportamentos anômalos antes que se transformem em incidentes consolidados, a diferença entre uma postura reativa e uma postura preditiva.

Tecnologia correlacionada, no entanto, só sustenta esse nível de visibilidade quando é operada com profundidade técnica constante. É por isso que essa estrutura é sustentada por uma equipe dedicada a manter cada solução do ambiente, de gestão de identidade e acessos a proteção de endpoint, corretamente configurada, atualizada e monitorada ao longo do tempo. Na prática, isso significa que a empresa não está apenas adicionando mais uma camada de tecnologia ao seu ambiente, mas ganhando uma equipe que conhece a operação, acompanha sua evolução e ajusta continuamente as defesas conforme novas ameaças surgem. Essa capacidade de gestão contínua é, inclusive, um dos pré-requisitos para que modelos como o Zero Trust Security, abordagem que detalhamos em outro artigo do nosso blog, funcionem na prática, e não apenas no papel.

Essa combinação entre inteligência centralizada e operação contínua é o que permite à Asper atuar não como fornecedora pontual de tecnologia, mas como parceira estratégica capaz de traduzir risco técnico em linguagem de negócio, um requisito cada vez mais central quando o tema chega à mesa do conselho.

Da objeção orçamentária à decisão estratégica

O dado mais útil para o C-Level dentro desse cenário talvez não seja o ranking em si, mas o que ele revela sobre a percepção de risco versus a alocação de recursos. Quando 90% dos especialistas consultados pelo Allianz Risk Barometer globalmente antecipam investimento moderado a alto em prevenção de perdas cibernéticas para 2026, a discussão orçamentária dentro das empresas brasileiras deixa de ser “se” investir mais em segurança e passa a ser “com que profundidade e velocidade” essa transição deve acontecer.

Para o CISO que enfrenta a barreira do orçamento travado, esses dados funcionam como argumento de governança: o risco cibernético não compete mais com riscos econômicos e operacionais tradicionais por atenção do conselho, ele os antecede, porque sua materialização compromete diretamente a capacidade da empresa de responder a qualquer um dos outros riscos do ranking. Uma empresa que sofre um incidente de grande escala não apenas absorve o custo direto do ataque; ela perde, simultaneamente, a capacidade de executar sua estratégia de crescimento, manter a confiança de investidores e sustentar a continuidade operacional, exatamente os três elementos que a pesquisa Protiviti identifica como pilares da resiliência corporativa em 2026.

Da constatação à decisão

Os dados de 2026 não deixam margem para ambiguidade: o ciberataque deixou de ser um risco técnico gerenciado nos bastidores da operação e se consolidou como o principal risco estratégico para empresas brasileiras e globais. Essa mudança de status exige uma mudança equivalente de postura, da resposta reativa para o gerenciamento contínuo de exposição, da tecnologia isolada para a orquestração integrada de inteligência, automação e expertise humana.

É nesse cenário que estruturas como o Cyber Fusion Center assumem papel estratégico, unificando Threat Intelligence, monitoramento contínuo, resposta a incidentes, gestão de exposição e inteligência operacional em uma única operação. Mais do que reduzir riscos técnicos, essa abordagem permite transformar dados de segurança em decisões de negócio, fortalecendo a continuidade operacional, a conformidade regulatória e a confiança de clientes, parceiros e investidores. 

Para o conselho administrativo, a decisão sobre investir em uma estrutura robusta de cibersegurança deixou de ser uma escolha técnica isolada. Tornou-se uma decisão de governança corporativa, com impacto direto sobre a capacidade da empresa de crescer, competir e manter a confiança do mercado nos próximos anos.

Quer entender como o Cyber Fusion Center e a atuação consultiva da Asper podem fortalecer a governança de risco da sua empresa diante do cenário de 2026? Fale com nosso time de especialistas.

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