imagem ilustrando ataque de ransoware e pagamento de resgate
Ameaças Cibernéticas

Quando pagar o resgate parece a saída mais rápida: o que os dados dizem sobre ransomware em 2026

Uma pesquisa conduzida pela Absolute Security com 750 líderes de segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido revelou um dado que merece atenção estratégica: 58% dos CISOs entrevistados considerariam pagar um resgate em caso de ataque de ransomware. E ainda segundo levantamentos de  maio de 2026, o principal fator por trás dessa disposição não é falta de competência ou preparo técnico, mas sim o impacto imediato do tempo de inatividade operacional, e o descompasso entre a confiança declarada das empresas e sua capacidade real de recuperação. Esse dado, lido isoladamente, pode parecer apenas uma estatística. Contextualizado com o cenário atual de ameaças, ele revela algo mais profundo: para grande parte das organizações, o ransomware ainda representa uma ameaça capaz de paralisar operações de forma suficientemente severa a ponto de tornar a negociação com criminosos uma opção considerada pela alta liderança. E essa percepção, por si só, é o diagnóstico de uma lacuna de resiliência que precisa ser endereçada antes que o ataque aconteça. O ransomware moderno deixou de ser apenas um problema de indisponibilidade. Os principais grupos operam modelos de dupla e tripla extorsão, combinando criptografia de dados, exfiltração de informações sensíveis e pressão reputacional por meio da publicação dos dados em Data Leak Sites (DLS). Em alguns casos, os atacantes também realizam campanhas de contato direto com clientes, fornecedores e parceiros da vítima para aumentar a pressão pelo pagamento.  Um dos desafios atuais é o crescimento das técnicas Living Off The Land (LotL), nas quais os invasores utilizam ferramentas legítimas já presentes no ambiente, como PowerShell, PsExec, WMI e Remote Desktop Protocol (RDP), dificultando a detecção baseada exclusivamente em assinaturas.  Relatórios recentes mostram que credenciais roubadas, sessões sequestradas e ataques a identidades tornaram-se vetores mais frequentes do que a exploração direta de vulnerabilidades em muitos cenários de ransomware. O comprometimento de identidades passou a representar um dos principais fatores de risco para a propagação e escalonamento de privilégios.  O gap entre confiança declarada e capacidade real de resposta O relatório da Absolute Security expõe uma contradição que merece atenção. Cerca de 83% dos CISOs afirmaram estar confiantes na capacidade de recuperação de suas organizações. No entanto, entre as empresas que efetivamente sofreram ataques de ransomware, 57% levaram até uma semana para restaurar os sistemas, e 20% precisaram de até duas semanas. Nenhum dos entrevistados conseguiu restaurar operações em menos de 24 horas. Esse descompasso entre percepção e realidade é um dos pontos centrais que o relatório destaca. As organizações acreditam estar preparadas. A crise revela que os processos de recuperação são mais lentos e mais limitados do que o esperado. Outro fator que agrava essa equação é a dependência de processos físicos para recuperação. Segundo o mesmo levantamento, 59% das empresas precisam ter acesso físico aos dispositivos comprometidos para corrigi-los e restaurá-los após um ataque. Um processo que, na prática, atrasa significativamente a retomada das operações. Apenas 53% das organizações possuem capacidade de recuperação remota. Esse cenário se torna ainda mais crítico quando se considera o perfil dos endpoints vulneráveis. Segundo o relatório, 57% dos CISOs relataram ataques iniciados em dispositivos móveis, híbridos ou remotos nos últimos 12 a 18 meses, e 58% afirmaram que incidentes desse tipo deixaram equipamentos completamente inoperantes. Tempo de Detecção (MTTD) é tão importante quanto Tempo de Recuperação (MTTR) A velocidade de recuperação é apenas parte da equação. Organizações que conseguem reduzir o Mean Time To Detect (MTTD) e o Mean Time To Respond (MTTR) tendem a interromper o ataque ainda durante as fases de movimentação lateral e preparação da criptografia, reduzindo significativamente o impacto operacional.  O que os dados mostram sobre o comportamento real das organizações Enquanto o relatório da Absolute Security mede a disposição dos líderes de segurança para pagar, outros levantamentos documentam o comportamento efetivo das empresas após ataques. De acordo com o relatório “State of Ransomware 2025”, publicado pela Sophos e que abrangeu 110 empresas brasileiras, 66% das organizações vítimas de ransomware no Brasil optaram por pagar o resgate, percentual superior à média global de 50% registrada na mesma pesquisa. Esse índice manteve-se praticamente estável em relação ao ano anterior, indicando que o comportamento de pagamento permanece consistente independentemente de variações nos valores exigidos. O relatório da Sophos também revelou que, apesar do crescimento dos ataques, a criptografia de dados nas empresas atingiu seu menor nível em cinco anos: menos da metade dos ataques (49%) resultou em dados criptografados, e o percentual de ataques interrompidos antes da criptografia mais que dobrou em dois anos, passando de 22% em 2023 para 47% em 2025. Isso sugere que as empresas com posturas de segurança mais maduras estão, de fato, contendo ataques antes que causem danos graves, o que reforça o valor da detecção antecipada e da resposta ágil. No cenário brasileiro, os dados sobre a escalada das ameaças são igualmente expressivos. Segundo a SonicWall, os ataques de ransomware no Brasil aumentaram 25% no primeiro semestre de 2025, com mais de 3,6 mil incidentes registrados. E um estudo da Sophos indica que 73% das empresas brasileiras afirmaram ter sido vítimas desse tipo de ataque, evidenciando a dimensão do problema no ambiente corporativo nacional. Por que pagar o resgate não resolve o problema O entendimento de que o pagamento representa uma saída rápida é, em grande parte, uma ilusão operacional. Os dados disponíveis mostram que essa decisão carrega uma série de consequências que se estendem muito além do valor transferido. Segundo dados compilados pelo Portal Information Management em análise publicada em abril de 2026, o custo médio de recuperação no Brasil chega a US$ 1,19 milhão, valor que frequentemente supera o resgate inicial e prova que pagar não encerra a sangria financeira. A Veeam Software, por sua vez, publicou em abril de 2026 o Relatório de Resiliência e Confiança de Dados de 2026, com base em respostas de mais de 900 executivos de TI, segurança e risco: embora 90% dos líderes afirmem estar preparados para se recuperar rapidamente, apenas 28% conseguem restaurar totalmente os dados comprometidos após um ataque. Há ainda o