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O golpe começa no social: quando a confiança vira o principal vetor de ataque

Quase 80% de todos os anúncios, páginas e perfis falsos identificados no Brasil ao longo de 2025 foram disseminados através das redes sociais, segundo dados consolidados pela Serasa Experian. Esse cenário marca uma mudança crítica de terreno: o ataque cibernético deixou de focar exclusivamente na infraestrutura técnica para explorar a confiança social do usuário como principal porta de entrada. A fraude se profissionalizou, transformando curtidas, compartilhamentos e anúncios em vetores de engenharia social altamente lucrativos, onde o comportamento humano se torna o elo mais visado da cadeia de segurança.

Ao longo de 2025, foram identificadas dezenas de milhares de ameaças entre anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos criados para imitar marcas legítimas e induzir o usuário ao erro. Em um contexto em que estudos apontam que a grande maioria das violações de dados envolve algum tipo de falha humana, o ambiente perfeito para o golpe está justamente onde as pessoas relaxam a vigilância: o feed de redes sociais, as conversas informais e os acessos rápidos feitos pelo celular.

Ilustração representando um cibercriminoso movendo peças de xadrez representando as redes sociais, representando o controle do atacante sobre as peças da vítima

A profissionalização da fraude e a “vitrine do golpe”

A estratégia criminosa atual é pautada pelo que especialistas vêm chamando de “vitrine do golpe”. Em vez de depender apenas de mensagens isoladas ou tentativas de phishing pouco sofisticadas, quadrilhas estruturadas passaram a operar campanhas completas, quase como se fossem times de marketing, só que a serviço do crime.

Nessa vitrine, anúncios maliciosos representam a parcela mais significativa das ameaças, seguidos por perfis e páginas falsas cuidadosamente construídos para se parecer com empresas confiáveis. O objetivo é simples e direto: explorar a confiança visual e social, usando identidade visual, tom de voz e linguagem similares às de marcas consagradas para coletar dados sensíveis, credenciais e códigos de confirmação diretamente dos usuários.

Essas campanhas não são estáticas. O modus operandi dos fraudadores envolve um ciclo contínuo de testes e republicações, em que diferentes mensagens, criativos e links são experimentados em tempo real. Quando um anúncio começa a ser bloqueado, ele é ajustado, republicado com variações mínimas ou reaparece a partir de outro perfil falso. É uma dinâmica de otimização constante, semelhante a testes A/B legítimos, mas voltada a burlar filtros de segurança e prolongar ao máximo a “janela de lucro” do golpe.

Ao se apoiarem na própria lógica de impulsionamento das plataformas, como alcance pago, segmentação por perfil de público e testes de criativo, essas quadrilhas conseguem ganhar escala rapidamente, atingindo milhares de vítimas antes de serem efetivamente bloqueadas.

Gráfico sobre fraude digital nas redes sociais em 2025

Quando o golpe atravessa do pessoal para o corporativo

O impacto organizacional desses golpes surge quando a fraude atravessa a fronteira entre a identidade pessoal e profissional do colaborador. Em muitos casos, a linha entre essas esferas é tênue: o mesmo dispositivo acessa redes sociais, e-mail pessoal e, em seguida, VPN ou sistemas corporativos.

É comum que criminosos utilizem perfis falsos em redes sociais para direcionar o consumidor (que pode ser, na prática, um funcionário com acessos privilegiados) para formulários ou aplicativos maliciosos. A captura de credenciais, tokens de autenticação ou códigos de confirmação começa em um contexto aparentemente pessoal, mas o risco real se manifesta quando:

  • o colaborador reutiliza senhas entre contas pessoais e corporativas;
  • acessos corporativos são feitos a partir de um dispositivo comprometido;
  • aplicativos maliciosos passam a monitorar notificações, SMS ou e-mails com códigos de autenticação.

Assim, credenciais roubadas em uma “simples” campanha em rede social acabam servindo como ponte para invadir sistemas corporativos robustos. Em outras palavras, a fragilidade social do usuário passa a ser explorada como atalho para contornar controles técnicos bem estruturados.

Identidade como novo perímetro: Zero Trust na prática

Quando o ataque passa a explorar identidades e comportamentos em vez de apenas falhas técnicas de infraestrutura, ferramentas tradicionais de perímetro (como firewalls e antivírus comuns) tornam-se insuficientes isoladamente. Elas continuam necessárias, mas já não bastam para enfrentar um cenário em que a confiança social é o vetor principal.

A resposta estratégica passa pela adoção do modelo Zero Trust, que parte de um princípio simples: nenhuma ação, usuário ou dispositivo é confiável por padrão, independentemente de onde o acesso se origine. Em vez de presumir que tudo o que está “dentro” da rede é seguro, a empresa passa a validar continuamente identidades, contextos e comportamentos.

Nesse contexto, a gestão de riscos precisa ser contínua e proativa. Em vez de reagir apenas após uma invasão evidente, a organização monitora sinais de anomalia, revisa privilégios, ajusta políticas de acesso e reforça autenticação em jornadas sensíveis.

A atuação de um parceiro especializado em cibersegurança, como a Asper, insere esse conceito de Zero Trust na prática por meio de três pilares essenciais de defesa:

  1. Controle e Governança de Identidade:
    Utilizando soluções de Identity Governance and Administration, como o SailPoint, o time do Cyber Fusion Center automatiza o ciclo de vida das identidades: criação, alteração, revisão e revogação de acessos. Isso garante que a pessoa certa tenha o acesso certo ao recurso certo no momento certo, reduzindo o valor de qualquer credencial que eventualmente tenha sido comprometida em uma campanha de rede social. Mesmo que uma senha vaze, o estrago potencial é limitado por políticas de menor privilégio, revisões periódicas e fluxos de aprovação bem definidos.
  2. Gestão de Acessos Privilegiados:
    Com o suporte de plataformas de Privileged Access Management, como o CyberArk, acessos críticos (administradores, contas de serviço, credenciais de alto impacto) passam a ser monitorados, rotacionados e controlados de forma centralizada. Se um atacante obtém, por exemplo, a senha de um administrador por meio de um perfil falso, a solução é capaz de identificar um login incomum (seja por horário, origem geográfica ou comportamento) e revogar automaticamente a credencial comprometida, antes que o dano se espalhe. O foco deixa de ser apenas “proteger a senha” e passa a incluir o acompanhamento inteligente de como, onde e quando esse privilégio é utilizado.
  3. Proteção de endpoints:
    Tecnologias de Endpoint Detection and Response e Extended Detection and Response, como o CrowdStrike Falcon Complete, monitoram o comportamento de processos e dispositivos em tempo real. Em vez de se limitarem a assinaturas de vírus conhecidos, analisam padrões anômalos decorrentes, por exemplo, de um clique em um anúncio fraudulento. Essa abordagem permite detectar rapidamente atividades suspeitas e isolar o dispositivo da rede em questão de minutos, reduzindo drasticamente a janela de exposição. A meta é impedir que o comprometimento inicial, muitas vezes originado em uma rede social, evolua para um incidente de grande escala.

Com esses três pilares combinados em uma estratégia Zero Trust, a identidade deixa de ser um ponto cego e passa a ser tratada como o novo perímetro de defesa.

O papel do Cyber Fusion Center na resposta em tempo quase real

Enfrentar a sofisticação da fraude digital exige mais do que adquirir ferramentas: demanda uma orquestração inteligente de defesas. É nesse ponto que entra o time de especialistas no Cyber Fusion Center (CFC) da Asper, operando como centro nervoso da operação de segurança.

O CFC integra telemetria de múltiplas fontes (identidade, endpoint, rede, aplicações e ameaças externas), para correlacionar eventos, identificar padrões anômalos e acionar respostas coordenadas. Em vez de tratar alertas de forma isolada, o time conecta os pontos: um login suspeito depois de um clique em anúncio malicioso, um aumento atípico de tentativas de autenticação, o uso indevido de nomes de empresas como “isca” em campanhas de phishing.

Enquanto muitas organizações ainda levam longas horas para detectar e conter uma ameaça, a proposta do CFC é reduzir esse intervalo para poucos minutos, atuando com protocolos de resposta pré-definidos. Essa agilidade é vital em um cenário em que os fraudadores contam justamente com a velocidade de propagação das redes sociais para maximizar o impacto antes que o golpe seja derrubado.

Além disso, a Asper utiliza plataformas de simulação de ataques, como a Cymulate, para executar campanhas internas que imitam com precisão anúncios e perfis falsos empregados por criminosos. Essas simulações cumprem dois papéis estratégicos:

  • treinar colaboradores, aumentando a capacidade de identificar e reportar tentativas de golpe
  • testar, de forma controlada, a eficácia de filtros de e-mail, gateways web e políticas de segurança já implementadas

Com isso, a empresa não espera pelo ataque real para descobrir fragilidades em suas defesas; ela antecipa o problema e corrige antes que vire incidente.

A urgência da proatividade digital

Reduzir a exposição ao risco em um cenário em que as redes sociais se tornaram vitrine do golpe passa por combinar monitoramento contínuo, segurança em camadas e gestão de vulnerabilidades orientada ao risco, sempre apoiada por processos claros e pessoas treinadas. Quando a organização trata identidade, acesso e comportamento como partes centrais da estratégia de defesa, ela diminui a janela de oportunidade para os criminosos e torna a exploração da confiança social muito menos eficaz.

Nesse contexto, soluções especializadas somadas a uma abordagem de Zero Trust e a tecnologias voltadas à proteção de identidades, acessos e dispositivos, ajudam a transformar essa estratégia em prática diária e mensurável. Em vez de enxergar a cibersegurança como um mal necessário, a empresa passa a utilizá-la como diferencial competitivo para operar com confiança em um ambiente de ameaças constantes.

Se você quer entender, na prática, quais medidas fariam mais diferença na realidade da sua operação, fale com o time técnico da Asper e entenda como reforçar a proteção do seu negócio.

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