Blog

3.736 ataques por semana: por que o setor financeiro brasileiro nunca foi tão visado pelo cibercrime

O setor financeiro não é apenas mais um alvo do cibercrime organizado, ele é o principal, e os dados de 2026 deixam isso inequívoco.

Segundo levantamento da Check Point Research divulgado em fevereiro de 2026, organizações brasileiras sofreram em média 3.736 ataques cibernéticos por semana, crescimento de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número ganha outro peso quando lido junto ao Relatório Global de Gerenciamento de Exposição do Setor Financeiro, publicado pela mesma Check Point: os ataques direcionados a esse setor saltaram de 864 ocorrências em 2024 para 1.858 em 2025, crescimento de 115% em apenas um ano.

Esses números são a materialização de uma realidade que CISOs, CTOs e líderes de tecnologia do setor financeiro enfrentam diariamente: ambientes sob pressão constante, superfícies de ataque em expansão e grupos criminosos cada vez mais profissionalizados.

imagem representativa do setor financeiro sendo alvo de multiplos ataques cibernéticos

Além de ataques oportunistas, o setor financeiro brasileiro enfrenta operações conduzidas por grupos especializados em fraude bancária, infostealers, ransomware e ataques à cadeia de suprimentos. Organizações criminosas exploram credenciais vazadas, malware bancário, engenharia social e comprometimento de fornecedores para obter acesso inicial e monetizar rapidamente os ambientes comprometidos.

Principais grupos e ameaças que atuam contra o setor financeiro brasileiro

PLUMP SPIDER (Brasil)

Grupo especializado em fraudes financeiras, comprometimento de contas corporativas e ataques direcionados a instituições financeiras e fintechs. É conhecido por explorar engenharia social, comprometimento de credenciais e abuso de acessos legítimos.

Grandoreiro

Trojan bancário de origem brasileira que integra o ecossistema conhecido como “Tetrade”. Atua por meio de campanhas de phishing, malware bancário e captura de credenciais, afetando bancos em diversos países da América Latina e Europa.

Guildma

Malware bancário brasileiro focado em roubo de credenciais, autenticações multifator e informações financeiras. Utiliza campanhas massivas de e-mail malicioso e técnicas avançadas de evasão.

Mekotio

Trojan bancário amplamente distribuído na América Latina. Tem histórico de ataques contra clientes de instituições financeiras, capturando credenciais bancárias e realizando fraudes eletrônicas.

Casbaneiro (Metamorfo)

Malware bancário brasileiro que monitora atividades financeiras das vítimas e executa ações fraudulentas em sessões bancárias comprometidas.

Blind Eagle (APT-C-36)

Grupo latino-americano conhecido por campanhas de espionagem e roubo de informações. Embora seu foco principal não seja exclusivamente financeiro, frequentemente utiliza campanhas de phishing que atingem instituições financeiras e seus clientes.

Lumma Stealer e RedLine Stealer

Famílias de infostealers amplamente comercializadas em fóruns clandestinos. São responsáveis por grande parte das credenciais corporativas e bancárias encontradas em mercados da dark web, representando uma ameaça significativa para bancos e fintechs.

LockBit, Akira, Play, Qilin e Medusa

Grupos de ransomware que frequentemente atacam organizações financeiras, seguradoras e processadoras de pagamento. Além da criptografia dos dados, utilizam extorsão baseada em vazamento de informações sensíveis.

Um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos foi a fraude milionária que afetou uma instituição financeira brasileira por meio do comprometimento de um fornecedor integrado ao sistema financeiro. O incidente resultou no desvio de centenas de milhões de reais e demonstrou como vulnerabilidades na cadeia de suprimentos podem impactar diretamente operações financeiras críticas, mesmo quando os controles internos da instituição permanecem íntegros.

Por que o setor financeiro concentra os incidentes de maior impacto

A resposta é direta: liquidez imediata, dados altamente sensíveis e infraestrutura crítica amplamente conectada. Nenhum outro segmento reúne esses três atributos com a mesma intensidade.

Segundo análise publicada pelo portal IPNews em maio de 2026, o setor financeiro liderou os ataques cibernéticos no Brasil pelo segundo ano consecutivo, concentrando mais de 20% de todos os incidentes registrados no país em 2025. Em 2024, essa participação já era de 19,76%. Não se trata de variação pontual, mas de uma tendência estrutural que se aprofunda a cada ciclo.

O que torna essa concentração ainda mais crítica é a combinação de três fatores. O primeiro é a monetização direta: diferente de outros setores, onde o criminoso precisa percorrer etapas intermediárias para converter dados roubados em ganho financeiro, uma invasão bem-sucedida a uma instituição financeira pode resultar em transferências fraudulentas em tempo real. O segundo é a pressão regulatória: as exigências do Banco Central do Brasil (BACEN) e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ampliam a exposição legal das instituições, tornando qualquer incidente em um evento com repercussão que vai além do técnico. O terceiro é a complexidade da infraestrutura: bancos, fintechs, seguradoras e processadoras de pagamento operam com ambientes híbridos, APIs em escala crescente e múltiplos fornecedores conectados, cada um representando um vetor potencial de entrada.

Segundo a Vantico, no relatório Inside Pentesting 2026, as APIs dobraram como superfície de ataque entre 2024 e 2025, subindo de 5,6% para 11,2% dos projetos analisados. No setor financeiro, onde o Open Finance e as integrações via Pix multiplicam as APIs expostas, esse crescimento é ainda mais pronunciado.

Os vetores que grupos criminosos mais exploram no setor financeiro

1- Credenciais comprometidas e abuso de identidade

O roubo e o uso de credenciais válidas seguem como a principal porta de entrada para atacantes. Quando um colaborador de uma instituição financeira ou de um fornecedor terceirizado tem suas credenciais comprometidas, o atacante ganha acesso a sistemas internos sem precisar explorar nenhuma vulnerabilidade técnica, uma rota silenciosa e eficaz.

Os números evidenciam a escala do problema: segundo dados da Avant Services com base em análises da Check Point Research, 98% das contas em nuvem de empresas brasileiras operam sem autenticação multifator (MFA) e 91% com privilégios excessivos. Em ambientes financeiros onde uma única credencial privilegiada pode dar acesso a sistemas de pagamento ou bases de dados de clientes, essa lacuna representa risco imediato.

O próprio Banco Central alertou que grupos criminosos demonstram conhecimento avançado sobre a operação do sistema financeiro nacional, chegando a cooptar colaboradores das próprias instituições ou de prestadores de serviço contratados por elas. Enquanto a fraude por identidade sintética representa 11% dos casos globalmente, na América Latina esse índice chega a 48,3%, segundo levantamento do CISO Advisor de 2026.

2- Engenharia social associada ao Pix

A adoção massiva do Pix criou uma nova camada de exposição. O sistema de pagamentos instantâneos tornou-se também um vetor de engenharia social: criminosos exploram a urgência das transações e o volume de comunicações legítimas relacionadas ao sistema para induzir colaboradores e clientes a autorizar transferências fraudulentas ou fornecer credenciais em páginas falsas.

O primeiro semestre de 2025 registrou o desvio de mais de R$ 500 milhões de contas públicas por meio de transferências fraudulentas via Pix, descrito pela Polícia Federal como o maior golpe cibernético já registrado no país, conforme relatado pelo portal WeLiveSecurity em agosto de 2025.

3- Ataques à cadeia de fornecedores

A terceirização de tecnologia e a integração com prestadores de serviços criaram um caminho de menor resistência que grupos criminosos exploram de forma sistemática. Uma instituição financeira pode ter um ambiente interno bem protegido e ainda assim ser comprometida por meio de um fornecedor com controles mais frágeis.

Segundo análise do WeLiveSecurity, em 2025 foram registradas pelo menos 87 organizações brasileiras confirmadas como vítimas de ransomware, com mais de 30 grupos diferentes envolvidos nas operações.

O problema do tempo: por que detectar tarde é tão caro quanto não detectar

Um dos aspectos mais críticos do cenário atual é o intervalo entre o comprometimento inicial e a detecção do ataque, o chamado dwell time. Esse período representa uma janela em que o atacante opera livremente dentro do ambiente, mapeando sistemas, elevando privilégios e preparando o terreno para a fase mais destrutiva da operação.
No contexto brasileiro, análises publicadas pelo portal Starti em 2026 apontam que essa média de permanência silenciosa é medida em meses. Para instituições financeiras, cada hora de acesso não detectado representa risco regulatório e financeiro direto.

O Relatório sobre o Estado do Gerenciamento de Exposição 2026, da Check Point Software, reforça esse ponto ao destacar que a capacidade de reduzir o tempo de permanência da exposição é um dos principais indicadores de maturidade em cibersegurança, com impacto direto na redução de incidentes, custos e interrupções operacionais.

Há ainda um padrão comportamental que merece atenção específica: grupos de ransomware e fraude financeira preferem agir em momentos de baixa guarda operacional. Fins de semana, feriados e madrugadas são os períodos de maior atividade observada. A lógica é simples: quando as equipes de segurança estão reduzidas, a janela de tempo para contenção se amplia, e essa diferença é explorada de forma deliberada.

A resposta reativa ainda predomina, e o custo disso é alto

Apesar da gravidade dos incidentes registrados, parte expressiva das instituições financeiras ainda organiza sua postura de segurança em torno da resposta a incidentes, e não da prevenção e da detecção antecipada. Segundo análise do IPNews de maio de 2026, enquanto a resposta a incidentes continuar sendo o principal investimento em detrimento da detecção antecipada, os números seguirão subindo.

Essa postura tem implicações concretas. O custo médio de um incidente de ransomware para uma organização de médio porte no Brasil pode ultrapassar R$ 1,4 milhão em perdas diretas e indiretas, incluindo paralisação operacional, recuperação de dados, custos legais e impacto reputacional, segundo dados da Avant Services com base em análises de mercado. Esse valor não contempla as consequências regulatórias que, no contexto financeiro, incluem notificações obrigatórias ao BACEN e à ANPD, além de potenciais sanções.

O movimento necessário é o de saída de uma postura de gestão de incidentes para uma de gerenciamento contínuo de exposição. A diferença não é apenas conceitual, mas operacional, tecnológica e cultural.

A abordagem estruturada que o ambiente atual exige

Diante desse cenário, a Asper estrutura sua resposta para o setor financeiro a partir de três eixos complementares, operados de forma integrada pelo Cyber Fusion Center (CFC).

O primeiro é o monitoramento e resposta contínuos. A cobertura ininterrupta é a única resposta adequada para um ambiente onde ataques ocorrem em horários de baixa guarda. O Cyber Fusion Center da Asper opera 24×7, correlacionando eventos e identificando comportamentos anômalos com capacidade de resposta antes que uma ameaça se consolide.

O segundo é a detecção comportamental no endpoint, operacionalizada com o CrowdStrike Falcon Complete. Em ambientes financeiros, onde credenciais comprometidas são o principal vetor de entrada, a detecção baseada apenas em assinaturas é insuficiente. O Falcon Complete monitora o comportamento de processos e identidades em tempo real, com capacidade de isolamento automatizado em menos de 10 minutos, diferença decisiva quando cada minuto de comprometimento representa risco financeiro e regulatório imediato.

O terceiro é a proteção de dados e detecção de exfiltração, viabilizada pelo Varonis. No setor financeiro, onde cadastros de clientes, históricos de transações e dados regulatórios concentram o maior valor para grupos criminosos, a capacidade de identificar acessos anômalos antes que a exfiltração se complete é determinante para a contenção do impacto.

A integração desses três eixos dentro do Cyber Fusion Center é o que diferencia uma postura de segurança madura de uma postura reativa: não se trata de somar ferramentas, mas de orquestrar inteligência, automação e expertise humana em um ciclo contínuo de detecção, contenção e evolução.

O que os dados de 2026 revelam sobre o que está por vir

A trajetória dos números não sugere desaceleração. Em abril de 2026, a Check Point Research registrou que organizações brasileiras sofreram, em média,3.736 ataques cibernéticos por semana, salto de 46% em relação ao mesmo período de 2025. A América Latina seguiu como a região mais atacada do mundo, com média de 3.364 ataques semanais por organização. 

A previsão da Check Point para 2026 inclui aumento de ataques DDoS motivados por eventos geopolíticos, ransomware associado a cadeias de suprimento, vazamentos silenciosos em nuvem e fraudes financeiras baseadas em inteligência artificial. Na América Latina, a expectativa é de intensificação de fraudes em pagamentos impulsionada por falhas de implementação e governança irregular de terminais.

“Os crimes cibernéticos financeiros entraram em uma nova era em que IA, automação e redes globais de ataque reduziram drasticamente o custo da ofensiva e ampliaram a velocidade e a escala dos danos em toda a cadeia do sistema financeiro. Em 2026, segurança significa prevenir, antecipar, detectar e interromper ameaças antes que atinjam infraestrutura, clientes e confiança.” – Shir Atzil, analista de inteligência de ciberameaças da Check Point Exposure Management Research.

O setor financeiro tem regulação, visibilidade e recursos para liderar a transformação da maturidade em cibersegurança no Brasil. Mas enquanto a resposta a incidentes continuar sendo o principal investimento, os números seguirão subindo. Cibercriminosos operam com planejamento, persistência e sofisticação crescente. Reagir depois do ataque é, na maioria das vezes, tarde demais.

Quer entender como o Cyber Fusion Center da Asper pode fortalecer a postura de segurança da sua instituição financeira? Fale com nosso time de especialistas.

Informação é proteção!

Receba em primeira mão nossos artigos, análises e materiais exclusivos sobre cibersegurança feitos pela Asper.

Categorias

Clique aqui e confira como baixar o estudo gratuitamente!


Informação

é proteção!

Receba em primeira mão nossos artigos, análises e materiais exclusivos sobre cibersegurança feitos pela Asper.

Nossos Escritórios

SEDE

São Paulo, SP
Torre Continental - Av. Magalhães de Castro, 4800 - 19º andar - Jardim Panorama, São Paulo - SP, 05676-120
(11) 3294-6776

FILIAIS

Rio de Janeiro, RJ
Avenida das Américas, 3434, Bloco 7, Salas 602 e 603, Barra da Tijuca, CEP: 22640102
(21) 2186-7594

Florianópolis, SC
Square Corporate, Torre Jurerê B, Sala 214 e 216, Rodovia José Carlos Daux, 5500, Saco Grande, CEP: 88032005

Brasília, DF
SHIS QI 03 Bloco F, 1º andar, Comércio Local,
CEP: 71605450
(61) 3047-8777

New York, NY
1270 Avenue of the Americas, Suite 210
New York, NY 10020

Asper © . Todos os direitos reservados.

Logo_Aguiar_black 1